Como transformar um problema cotidiano da administração pública em uma oportunidade de aprendizado, pesquisa e impacto social? Essa é a proposta de um dos projetos de Atividades Extensionistas (AEX) do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, que desenvolveu métodos de otimização para tornar o transporte escolar mais eficiente.
Coordenado pela professora Franklina Maria Bragion de Toledo, o projeto desafiou estudantes de graduação a aplicar conhecimentos de matemática, computação e pesquisa operacional para resolver um problema real: encontrar rotas que reduzam distâncias percorridas por ônibus escolares. Estas rotas visam reduzir: tempos de viagem, consumo de combustível e custos operacionais, sem comprometer o atendimento aos alunos. Entre as possibilidades estudadas está, inclusive, a adoção de pontos de encontro para embarque, estratégia capaz de reduzir ainda mais os trajetos, desde que respeitados aspectos sociais e de segurança.
Na manhã desta sexta-feira, 3 de julho, estudantes responsáveis pelo projeto apresentaram os resultados e a metodologia para representantes da Secretaria Municipal de Educação de São Carlos. Participaram da visita o secretário municipal de Educação e vice-prefeito, Roselei Françoso, além de integrantes da equipe técnica da secretaria, que conheceram o potencial da solução para futuras aplicações nas rotas escolares do município.
Após acompanhar a apresentação, Roselei Françoso destacou que iniciativas como essa fortalecem a gestão pública baseada em evidências. “Produzir evidências científicas é produzir transparência e melhores decisões para a administração pública. Queremos ampliar cada vez mais as parcerias estratégicas com as universidades de São Carlos, especialmente em projetos voltados para educação e saúde, para que o conhecimento produzido aqui se transforme em benefícios concretos para a população.”
Segundo a professora Franklina Maria Bragion de Toledo, o projeto representa exatamente o propósito das atividades extensionistas da USP: aproximar universidade e sociedade por meio da atuação dos estudantes. “A universidade produz conhecimento de excelência, que precisa cada vez mais ultrapassar os limites da sala de aula. As atividades de extensão permitem que os alunos utilizem esse conhecimento para estudar problemas reais da sociedade, ao mesmo tempo em que enriquecem sua formação acadêmica e profissional.”
A diretora em exercício do ICMC, professora Kalinka Castelo Branco, ressaltou que a iniciativa também está alinhada aos esforços de aproximação entre universidade e poder público desenvolvidos em São Carlos.”Este projeto dialoga diretamente com os objetivos do IntegraSanca, iniciativa realizada em parceria entre a FAPESP e a Prefeitura de São Carlos para estimular soluções inovadoras voltadas à melhoria da qualidade de vida das pessoas. É um exemplo de como ensino, pesquisa, extensão e gestão pública podem trabalhar juntos para gerar impacto social.”
Mais do que propor rotas mais eficientes, o projeto também leva os estudantes a discutir questões sociais envolvidas no transporte escolar, como a distância máxima que crianças podem caminhar até pontos de encontro, a idade adequada para isso e os critérios de segurança e acessibilidade. Dessa forma, a otimização deixa de ser apenas um problema matemático para incorporar aspectos humanos essenciais à construção de políticas públicas.
Ao aproximar estudantes, pesquisadores e gestores públicos, a iniciativa ilustra como a universidade pode transformar conhecimento científico em soluções capazes de contribuir para uma administração pública mais eficiente, transparente e conectada às necessidades da sociedade. Esperamos que o estudo siga adiante e possa ser adaptado para ser utilizado pela prefeitura.
Texto: Raquel Vieira
Assessora de Imprensa – Escritório de Grandes Projetos e CEPIx
Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação – USP
divulgaprojetos@icmc.usp.br










