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Três alunos do Instituto participaram de provas online, concorrendo com 550 participantes de 34 países; um deles conquistou medalha de bronze e outro recebeu menção honrosa
Data da publicação: 18/08/2020

A International Mathematics Competition for University Students acontece todos os anos na Bulgária, mas por conta da pandemia da covid-19, este ano a competição foi realizada entre os dias 25 e 30 de julho no formato a distância (crédito da imagem: Jornal da USP).

 

Uma competição internacional de matemática que reuniu 550 estudantes de graduação de 34 países, divididos em 96 equipes e realizada 100% em ambiente virtual. Assim foi a edição deste ano da International Mathematics Competition for University Students (IMC), que contou com a participação de três estudantes do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

“Gostaria que essa conquista encorajasse mais pessoas a participarem da IMC e de outras competições do tipo, como a Olimpíada Brasileira de Matemática, por exemplo. Elas propõem problemas sobre assuntos que estudamos no início da graduação, mas de uma maneira diferente, inédita, de encaixar as coisas, o que incentiva nossa criatividade e ao mesmo tempo é um desafio”, explica Victor Hugo de Souza, que conquistou menção honrosa na disputa individual por ter alcançado a 405ª posição no ranking.

Quando Victor se mudou para São Carlos, vindo de Santos, no litoral de São Paulo, estava matriculado no curso de Engenharia de Computação. Mas o desejo por aprender mais matemática o levou a participar de um programa de iniciação científica criado pelo professor Hildebrando Munhoz.

A dinâmica do programa é bastante interessante: além de mesclar, em um mesmo ambiente, alunos mais adiantados, alguns que já estão na pós-graduação, com veteranos na iniciação científica e alunos iniciantes, os estudantes são estimulados a apresentar, alternadamente, seminários em inglês abordando tópicos em matemática profunda. Há também seminários especiais para a resolução de problemas. Essa dinâmica possibilita que os alunos mais experientes sirvam de modelo para os mais novos e que todos juntos aprendam lições fundamentais. “Ao participar dos seminários promovidos pelo programa, confirmei minha afinidade por matemática e decidi transferir de curso: agora faço Bacharelado em Matemática no ICMC. Meu sonho é ser pesquisador na área e poder contribuir em projetos de educação e divulgação”, acrescenta o estudante.

 

Para Victor, as olimpíadas científicas representam uma forma de inclusão social (crédito da imagem: arquivo pessoal).

 

Outro aluno do Bacharelado em Matemática do ICMC que foi premiado na competição internacional foi Luan Arjuna, que conquistou a medalha de bronze por ter alcançado a 277ª colocação: “Essa medalha acendeu novamente a minha paixão pelas olimpíadas. Pretendo me dedicar bastante para conseguir uma nova medalha no ano que vem”.

Ele revela que sua identificação com a matemática começou cedo. “Eu tinha uns 8 anos de idade quando minha mãe me falou sobre a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Ela disse que se eu ganhasse uma medalha de ouro nessa olimpíada, eu iria aparecer na televisão e receber a medalha do presidente. E isso foi suficiente para me deixar muito empolgado para estudar”, conta.

Logo em sua primeira participação na OBMEP, Luan recebeu menção honrosa e, no ano seguinte, conquistou a medalha de ouro e o convite para conhecer a então presidente Dilma Rousseff. Depois disso, o estudante começou a se dedicar cada vez mais à matemática. “Quando você estuda muito, começa a desenvolver intimidade com ela”, destaca.

Luan estudou praticamente sua vida toda em escolas públicas de seu município, Andaraí, cidade baiana com cerca de 15 mil habitantes. A trajetória de Victor é similar, como ele revela: “Para mim e outros colegas de baixa renda, as olimpíadas representam uma forma de inclusão social, pois permitiram ganhar bolsas para estudar em escolas com melhor preparação para o vestibular e, com isso, ter a perspectiva de ingressar em uma universidade pública de excelência”.

Victor conta que, entre a metade e o fim do ensino fundamental, fez uma prova de bolsas para uma escola que era considerada muito boa e tinha muitas aprovações em vestibulares. “Ganhei bolsa integral, e descobri que inscreviam os alunos em olimpíadas científicas. Aquilo era novo para mim, nunca havia ouvido falar nessas competições, mas pude encontrar materiais e dicas de estudo buscando grupos no Facebook sobre o assunto e fóruns na internet”, conta. Além de ter ajudado Victor a desenvolver e melhorar seu hábito de estudo, participar das olimpíadas científicas permitiu ao garoto conhecer pessoas de vários cantos do Brasil com interesses em comum.

O terceiro aluno do ICMC que participou da competição internacional foi Hazael Jumonji que ficou na 436ª colocação. Já a equipe composta por Hazel, Victor e Luan ficou na 78ª colocação, tendo sido prejudicada por possuir um participante a menos do mínimo exigido – os times precisam ter ao menos quatro pessoas porque a pontuação das equipes é obtida a partir da nota média dos quatro integrantes. No caso do time do ICMC, a média resultou da soma da pontuação dos três alunos dividida por quatro, o que fez a nota diminuir. “Se as olimpíadas forem mais difundidas, vários alunos do ICMC, que são muito bons, poderão trazer excelentes resultados representando nossa comunidade acadêmica”, acrescenta Victor.

 

Luan pretende se dedicar bastante para conseguir uma nova medalha no ano que vem (crédito da imagem: arquivo pessoal).

 

Distância que aproxima – A International Mathematics Competition for University Students acontece todos os anos na Bulgária, mas por conta da pandemia da covid-19, este ano a competição foi realizada entre os dias 25 e 30 de julho no formato a distância. “Eu já desejava participar dessa competição há um tempo, mas o que me motivou a fazer a prova este ano foi o fato de ser aplicada online, o que dispensou a necessidade de viajar para a Bulgária. Isso permitiu que mais brasileiros participassem, o que fez com que obtivéssemos recorde em número de premiações”, comemora Victor.

Para garantir a transparência da competição, os participantes foram fiscalizados por meio de videoconferências gravadas pelos líderes de cada time, com microfones e câmeras abertos. Isso porque, apesar de serem divididos em times, os participantes responderam individualmente a oito problemas matemáticos em uma prova que foi impressa e resolvida na casa de cada um. Cada questão valia dez pontos, com a prova totalizando uma pontuação máxima de 80. Quem obteve nota igual ou superior a 30 pontos recebeu a medalha de ouro. Entre 29 de 21 pontos recebeu prata e entre 20 e 15 bronze.

Além do time do ICMC, a USP foi representada na competição por mais quatro alunos do Instituto de Matemática e Estatística (IME): Eduardo Sodré, André Hisatsuga, Lucas Harada e João Pedro Sedeu Godói. No quadro geral por equipes, os estudantes do IME conquistaram a 32ª colocação. Na disputa individual, Eduardo Sodré e André Hisatsuga ficaram com a medalha de prata pela 143ª e 151ª colocação, respectivamente. Já Lucas ficou na 209ª posição, enquanto João Pedro na 277ª, ambos premiados com a medalha de bronze.

Os competidores russos conseguiram boa parte das primeiras colocações, seguidos dos estudantes israelenses, resultado que não é novidade em torneios da área. “Os dois países têm uma tradição muito forte em matemática, pois lá é bem mais popular que aqui”, conclui Marcelo Luiz Gonçalves, que liderou a equipe do ICMC.

 

Estudantes resolvem exercícios da competição por meio de videoconferência (crédito da imagem: arquivo pessoal).

 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Com informações do Jornal da USP

Mais informações
Leia o relato de mais medalhistas na reportagem do Jornal da USP
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